Polícia Civil desarticula esquema de estelionato contra aposentados no Oeste e cumpre mandados no RS
Região
Ex-marido teria desligado roteador e retirado câmera antes de matar mulher em Ipira, diz delegado
Delegado Vinícius Ferraz diz que há indícios de premeditação no feminicídio de Daiana Gisele Müller, em Ipira.
O ex-marido suspeito de matar Daiana Gisele Müller, de 38 anos, em Ipira, teria retirado uma câmera de segurança da casa e desligado o roteador de internet antes do crime. A informação foi revelada pelo delegado Vinícius Ferraz, da Polícia Civil, e reforça os indícios de que o feminicídio foi premeditado. As informações são da reportagem de Jardel Martinazzo, da Rádio Capinzal, que ouviu o delegado.
O crime aconteceu na manhã de terça-feira (20), na comunidade de Linha Capelinha, no interior do município. Por volta das 9h30, Daiana acionou o botão do pânico do aplicativo PMSC Cidadão. A Polícia Militar e o delegado foram imediatamente até a propriedade e encontraram sinais de arrombamento em uma janela da casa, o que indica que o suspeito teria entrado à força.
Durante as buscas, as equipes receberam a informação de que o ex-marido havia mandado uma mensagem a um familiar, dizendo que tinha feito uma “besteira” e jogado o corpo da vítima em um riacho. Os policiais intensificaram as buscas e encontraram Daiana sem vida, com o corpo parcialmente submerso no curso d’água da propriedade.
Preso em flagrante e com prisão preventiva decretada
Depois do crime, o suspeito fugiu para Presidente Castello Branco, onde se apresentou espontaneamente a policiais militares. Ele foi preso em flagrante e levado à Central de Polícia da comarca de Joaçaba.
Segundo o delegado, a Polícia Civil pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva, e a Justiça aceitou o pedido ainda na terça-feira. No interrogatório, acompanhado pela defesa, o investigado optou por permanecer em silêncio.
A Polícia Civil aguarda os laudos definitivos da Polícia Científica, do local do crime e do exame cadavérico, para esclarecer a causa e o horário da morte. O inquérito está na fase final, com previsão de indiciamento do suspeito por feminicídio qualificado.
Vítima tinha medida protetiva
Daiana estava separada do suspeito e havia procurado a Polícia Civil para denunciar ameaças. A Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência que proibia o ex-marido de chegar a menos de 100 metros dela e de ter contato com a vítima, familiares e testemunhas.
De acordo com o delegado, não havia registro formal de denúncia por descumprimento da medida antes do feminicídio. No dia do crime, porém, o investigado teria violado as restrições impostas pela Justiça, o que será considerado na investigação, inclusive em relação à pena. As investigações apontam que o crime teria sido motivado por ciúmes e possessividade, num contexto de intolerância diante do fim do relacionamento.
Delegado fala sobre os limites das medidas protetivas
Na entrevista, Vinícius Ferraz também comentou os desafios das forças de segurança no combate à violência doméstica. Ele ressaltou que as medidas protetivas continuam sendo instrumentos importantes, mas reconheceu que nem sempre conseguem impedir uma agressão. “Não é por causa desse caso que vamos descartar completamente as medidas de proteção”, ponderou.
Segundo o delegado, a rapidez com que alguns crimes são cometidos dificulta a atuação preventiva, mesmo quando a polícia é acionada. Ele explicou que grande parte da violência doméstica acontece dentro das residências, o que torna inviável manter vigilância policial permanente em todos os lugares onde há pessoas em risco. Ferraz defendeu o fortalecimento das ações de prevenção, a educação para combater comportamentos violentos e o aprimoramento da legislação, com mecanismos que permitam uma atuação mais rigorosa diante de ameaças.
Mãe de dois filhos
Daiana tinha 38 anos, era mãe de dois filhos, de 13 e 8 anos, e também cuidava da avó, de 84 anos. A morte causou comoção na comunidade de Linha Capelinha e em toda a região.
O caso reforça o alerta sobre a gravidade da violência contra a mulher e a importância de buscar ajuda diante de ameaças ou de comportamentos de controle e perseguição. Em situações de emergência, a orientação é ligar imediatamente para a Polícia Militar, pelo telefone 190.
Veja o que a Polícia Civil informou logo após o crime.
Acompanhe o Éder Luiz Notícias
Nos siga no
Google News











